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Empatia é mais amor por favor

empathy

Na semana passada, o que o povo colombiano demonstrou na cerimônia de homenagem às vítimas do acidente aéreo foi um mix de solidariedade e amor. Empatia. Cada vez mais necessária nos tempos em que vivemos. Ela vem junto com a compaixão, outra fundamental na vida.

Há quem não se compadeça de nada, não se ponha no lugar de terceiros e permaneça fechado no seu umbigo, como se nada mais importasse. Necessidade de chamar a atenção? Pobreza de sentimentos? Egoísmo puro, ou ruindade mesmo. Falta de terapia, talvez. Ou de coração.

A parte boa é que tem muita gente do bem, que se comove, que consegue sentir quase a mesma dor do outro. E que usa isso para melhorar a si mesmo e ao seu redor. Isso exige inteligência emocional e generosidade.

Sou vegetariana por compaixão e respeito, por exemplo. A compaixão é uma das bases do budismo também. Você não é melhor que nenhum outro ser no mundo, estamos todos aqui tentando acertar. E podemos errar sim. Todo mundo erra. Precisamos ter mais tolerância, mais paciência. É um exercício diário. Viva e deixe viver.

Dizem que as pessoas mais sensíveis acabam sofrendo mais, porque sentem pelos outros. É verdade, mas eu não poderia ser de outra maneira. A gente sofre, não somente diante das tragédias da vida, mas diariamente. Porque deu ruim prum amigo, porque soubemos de algo terrível que aconteceu com uma conhecida, porque o noticiário é um bombardeio de bad vibes.

Final de ano, em geral, vem aquele sentimentalismo, o “espírito de Natal”, e a vontade de ajudar todas as ONGs possíveis e rever as pessoas que a gente gosta. E desculpar as cagadas alheias. E refletir sobre as nossas. E fazer planos pro ano que vem. Quer mudanças? Comece por você.

Dia a dia corrido, responsabilidades, tudo parece conspirar pra que cada vez mais as pessoas se fechem nos seus mundinhos (algumas em constante busca por likes, é verdade). Pois bem, mais do que olhar as outras pessoas, comece a VER essas pessoas. De verdade, com o coração. Experimente não julgar tanto e sim tentar compreender o outro. Certeza que o novo ano vai ser bem melhor.

haring

De um dos meus artistas preferidos, Keith Haring .

 

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Aos que se foram

A morte é uma separação terrível. Por mais que pensamos estar prontos, sempre somos destruídos quando perdemos alguém importante. Ontem meu gato Prince, de 17 anos, faleceu. Em janeiro, perdi o Gato, que também tinha 17 anos.

Longe de mim querer ser egoísta e achar que eles deveriam ficar comigo, uma vez que a missão deles foi cumprida e chegou a visita da mulher da foice. Mas dói. E muito.

Acredito que os bichos vivem muito menos que nós exatamente para que possamos cuidar e dar uma vida boa para vários deles ao longo de nossa existência. Um bicho novo (pode ser adulto, mas novo na sua história) renova a vida. E eles sempre nos mostram o que é amor de verdade e que, sim, podemos ser melhores.

Então, me lembro também de outros bichos com quem pude dividir pedaços da minha vida e não estão mais aqui: Sophia, Yara, Jorginho, Kaiser, Chiara.

Eu amo vocês e sei que estão bem.

Um dia a gente se encontra.

 

 

 

catangel

Das 9 às 6

Desculpem o sumiço, mas foram meses de muito trabalho. O capítulo final de tanta dedicação, nada positivo, me fez pensar muito. Inspirada também por textos de amigas e escolhas de vida, resolvi escrever sobre liberdade.
Ultimamente me empenhei no trabalho, me dediquei como nunca e consegui resultados bons, mas não basta. Nunca é o suficiente, nunca tá bom. E tem sempre alguém que faz por um preço menor.
E você se cobra e você se culpa.
Começa a segunda esperando pela sexta.
O finde voa, e lá vem mais uma semana sem feriado socorro jesus.

Somos realmente livres? Trocando nosso tempo e talento por dinheiro? Desempenhando tarefas das quais não gostamos? O que você faz oito horas por dia, cinco dias por semana, melhora a vida de alguém? Ou é o que você recebe por isso que tem alguma utilidade?

Olhando de longe, muitas das urgências do cotidiano profissional não têm importância alguma.
E não há saída mágica, pois temos faturas pra pagar.
(sim, sempre podemos ganhar na loteria)

Mas é hora de pensar em liberdade, em planos b e c, em alternativas mais satisfatórias de vida.
Além das atribuições chatas da vida, somos responsáveis também pela parte boa, pela diversão, pelo que faz diferença – o que realmente importa, no fim das contas.
Passa tudo tão rápido, bora ser feliz.

fodase

Esses meninos

Eles entraram na minha vida em 2002. Um ano apaixonado, cheio de esperança e coisas divertidas. Jogos da Copa de madrugada, novo amor, vontade de coisas novas.
No ano seguinte, por forças do destino, fiquei muito tempo em casa. Isso não era problema, vamos nos divertir enquanto isso. Tardes inteiras ouvindo IS THIS IT e jogando Donkey Kong – sim, adoro um videogame vintage – e ficando alta (if you know what I mean, 4 e 20).
Saiu o ROOM ON FIRE e foi amor logo de cara. Tudo era lindo, e um tempo depois, a vida pôs uma pessoa especial no meu caminho. E todas as músicas deles combinavam com mil situações que eu estava vivendo.Um impasse na vida amorosa, tomei a decisão errada. E carreguei isso por meses. E a pessoa ficou marcada nesse segundo disco deles. Ele estava em todas as faixas, em quase todos os versos. Hoje ainda lembro dele, falando muito, sorrindo, lindo.
O terceiro disco, mais experimental, já marcou uma fase de arrependimento, de “por que mesmo escolhi o lado errado?”, a roda da fortuna girando, a vida mudando, mas de allstar branco cano alto.
Fui no show (TIM Festival 2005) e decidi: se encontrasse com ele justo nesse evento, seria um sinal. Não encontrei. Deixei a vida andar.
Quando ANGLES foi lançado, anos depois, lembro de quando ouvi a primeira faixa, no trabalho. E chorei. Porque eles estavam de volta, porque era eu ali e uma nova fase minha nas letras do Julian. Ouvi esse disco até de trás pra frente.
O show do Terra, em 2011, foi inacreditável. Os ingressos esgotaram logo, fiquei sem. Por conta disso, passei meses sem ouvir os meninos, fingindo que o show não existiria. Na semana do festival, GANHEI os ingressos. Foi um show lindo maravilhoso, e, mesmo sob efeito de uma bicicleta, eu me emocionei. Foi catártico, histórico. Minha vida recente passando em músicas e letras e ali estava eu vivendo aquilo ao vivo. Foda.
Um tempo depois, encontrei com aquela pessoa. Rolou. Foi bom. Mas só, tudo estava mudado, perdeu aquela magia.
2013, uma música com tecnobrega, rendendo muitas risadas e marcando mais uma fase da vida, completamente diferente das outras. Dois meses depois, um clipe novo e mais uma música ótima. Chorei de novo.
Porque, mesmo tudo tão diferente e cheio de possibilidades novas, eu ainda me reconheço neles, esses meninos. Strokes é parte da minha vida, trilha de festas, porres, fossas e amores.
E agora vou ouvir a música nova, pela milionésima vez.

The Strokes