Isso tem outro nome

Rato de laboratório. Daqueles que ficam correndo naquela rodinha. Que fazem tudo de forma condicionada.
Mas de forma burra. Se entrar ali, leva choque. Vai doer.
E você entra. Toda hora.
Sabe que vai dar com a cara na porta. E ficar do lado de fora, na chuva forte.
Mas você vai. E vai de novo.
E volta com frio, doente. Cansada, desgastada, machucada.
Ao menor sinal de que a porta pode se abrir, você vai outra vez.
E se frustra. E se sente ridícula.
Se vê no meio da espiral do capeta, infinita. E não consegue sair.
Sofrimento.
Esperança tola.
Você vai diminuindo de tamanho, até ficar invisível.
Há quem chame isso de amor.

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waiting in vain, banksy.

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Empatia é mais amor por favor

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Na semana passada, o que o povo colombiano demonstrou na cerimônia de homenagem às vítimas do acidente aéreo foi um mix de solidariedade e amor. Empatia. Cada vez mais necessária nos tempos em que vivemos. Ela vem junto com a compaixão, outra fundamental na vida.

Há quem não se compadeça de nada, não se ponha no lugar de terceiros e permaneça fechado no seu umbigo, como se nada mais importasse. Necessidade de chamar a atenção? Pobreza de sentimentos? Egoísmo puro, ou ruindade mesmo. Falta de terapia, talvez. Ou de coração.

A parte boa é que tem muita gente do bem, que se comove, que consegue sentir quase a mesma dor do outro. E que usa isso para melhorar a si mesmo e ao seu redor. Isso exige inteligência emocional e generosidade.

Sou vegetariana por compaixão e respeito, por exemplo. A compaixão é uma das bases do budismo também. Você não é melhor que nenhum outro ser no mundo, estamos todos aqui tentando acertar. E podemos errar sim. Todo mundo erra. Precisamos ter mais tolerância, mais paciência. É um exercício diário. Viva e deixe viver.

Dizem que as pessoas mais sensíveis acabam sofrendo mais, porque sentem pelos outros. É verdade, mas eu não poderia ser de outra maneira. A gente sofre, não somente diante das tragédias da vida, mas diariamente. Porque deu ruim prum amigo, porque soubemos de algo terrível que aconteceu com uma conhecida, porque o noticiário é um bombardeio de bad vibes.

Final de ano, em geral, vem aquele sentimentalismo, o “espírito de Natal”, e a vontade de ajudar todas as ONGs possíveis e rever as pessoas que a gente gosta. E desculpar as cagadas alheias. E refletir sobre as nossas. E fazer planos pro ano que vem. Quer mudanças? Comece por você.

Dia a dia corrido, responsabilidades, tudo parece conspirar pra que cada vez mais as pessoas se fechem nos seus mundinhos (algumas em constante busca por likes, é verdade). Pois bem, mais do que olhar as outras pessoas, comece a VER essas pessoas. De verdade, com o coração. Experimente não julgar tanto e sim tentar compreender o outro. Certeza que o novo ano vai ser bem melhor.

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De um dos meus artistas preferidos, Keith Haring .

 

Os tais apps de encontros

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Tentei, eu juro.

A solidão é foda, a saudade te mata, e a sensação de estar sempre deixada de lado geram uma coisa chata: a carência. E aí vc baixa o Tinder, Happn, Whatevs. De início, parece uma boa distração. Uma galeria de carinhas – em sua maioria desinteressantes – e a falsa sensação de estar selecionando pretendentes.

Deu match, ou crush. Ninguém chama pra conversar. Se chama, é aquele papo chato “o que vc faz, onde mora, gosta do quê”. A vontade é já deixar um doc pronto, um perfil com currículo de vida e preferências.

Teve um trouxa que me questionou, sobre nunca ter casado: “O que aconteceu?” Como se fosse doença. Teve o espanhol tosco que mandou foto do pau sem eu pedir.

Mas sempre tem um que parece promissor. A conversa flui bem, o cara parece legal, trocam whatsapp, aquela stalkeada no instagram.  Às vezes rola mensagem de voz (o povo reclama, mas é fundamental e já explico o porquê). E então, vocês marcam de se encontrar.

Decepção, vontade de fugir. Dos últimos encontrinhos, o saldo é:

  • chato, ma chato pra carai, e ainda parecia o Alexis Matteo desmontado;
  • baixinho, dentes horrorosos, medonhos (por isso não tinha nenhuma foto sorrindo, se liguem). Dente feio não é legal, não é alterna, é zuado. Procure um ortodontista;
  • baixinho, um hobbit praticamente. E cheio das ideias erradas;
  • baixinho, GAGO (manas, ga-go gagago). Como disse uma amiga “Mas os gagos também amam”. Olha, pode ser, mas aqui não. Era gente boa, e morri de pena.

E entendo que possam ter se decepcionado comigo tb.
NUNCA a vida real bateu com as fotos. Precisa mais do que fotos legais, o jeito tem que te atrair, a voz. Não é beleza, é  o conjunto da obra que torna uma pessoa interessante.

E eu cansei de perder tempo com isso. Dias de conversa pra pessoa simplesmente parar de falar com você do nada – achou outra mais interessante – ou pra ter encontrinhos desastrosos. Algumas pessoas têm sorte sim e conhecem gente que vale a pena. Mas é bem raro.

Uma pessoa querida marcou com um cara de um app esses dias. Se encontraram, enquanto ela foi pegar uma mesa no bar, o cara saiu, falando ao telefone. E SUMIU. Simplesmente foi embora. Deu fuga, muito malander. Olha, ninguém merece esse tipo de grosseria. Nem passar por encontros merda. Não há desespero ou carência que justifique.

Nesses apps, em geral, temos duas categorias: bofes que usam aquilo como um catálogo de fodinhas e freak show. E nada disso me interessa.

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Gratidão

Se reparar bem, tem gente que só reclama. Da vida, do desamor, do trânsito, das contas, do calor, do frio, da política, do preço das coisas, da violência, de tudo. Isso faz mal. E não é crendice de Poliana Moça, é ciência.

Cada vez mais tenho me esforçado pra ter uma atitude positiva em relação a tudo. A terapia tem ajudado também e fiz grandes avanços se considerar o tipo de reação que tenho hoje quando acontecem coisas chatas. Teve um dia que meu carro quebrou, e tudo bem. Adorei passear de guincho. Outro dia, furtaram meu celular, e tudo bem. Já comprei outro. Sim, sempre temos escolha.

Claro que, às vezes estamos sofrendo muito e tudo bem estar triste também, faz parte. Mas nem tudo merece ser sofrido e pesado, se não precisar ser. Muitos acontecimentos têm um lado positivo, é nele que temos de mirar.

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Gratidão virou modinha nas redes sociais, mas é babado.

Precisamos ser gratos pela vida que temos, as oportunidades e privilégios. Segundo estudos, a prática da gratidão eleva os níveis de serotonina e dá sensação de bem-estar. Terapias específicas podem facilitar o processo, como a Time Line Therapy, que ajuda as pessoas a se livrarem de emoções negativas e limitadoras. A terapeuta Cema Santos, também especialista em programação neurolinguística, vem ao Brasil em agosto, para dois workshops em São Paulo: “Mente sã, corpo são” e “Detox sua mente, transforme sua vida”.

E aí, o que acha de promover um detox na mente? Deixar a negatividade pra trás pode ser mais fácil e muito mais recompensador do que pensamos. E as terapias estão aí pra ajudar. Na verdade, dá até pra começar hoje: em vez de reclamar, bora agradecer o que se tem?

 

Aos que se foram

A morte é uma separação terrível. Por mais que pensamos estar prontos, sempre somos destruídos quando perdemos alguém importante. Ontem meu gato Prince, de 17 anos, faleceu. Em janeiro, perdi o Gato, que também tinha 17 anos.

Longe de mim querer ser egoísta e achar que eles deveriam ficar comigo, uma vez que a missão deles foi cumprida e chegou a visita da mulher da foice. Mas dói. E muito.

Acredito que os bichos vivem muito menos que nós exatamente para que possamos cuidar e dar uma vida boa para vários deles ao longo de nossa existência. Um bicho novo (pode ser adulto, mas novo na sua história) renova a vida. E eles sempre nos mostram o que é amor de verdade e que, sim, podemos ser melhores.

Então, me lembro também de outros bichos com quem pude dividir pedaços da minha vida e não estão mais aqui: Sophia, Yara, Jorginho, Kaiser, Chiara.

Eu amo vocês e sei que estão bem.

Um dia a gente se encontra.

 

 

 

catangel

Uma longa queda*

Quanto mais alto você sobe, mais feia pode ser a queda. Paixão avassaladora, depressão fudida depois. Tudo lindo, cor de rosa, até que entrou água na casa das máquinas. O boy começa a agir diferente, a intuição grita que tem algo errado. Um perdido num sábado à noite. Três dias depois, um amigo te conta do chifre. Fim.

O que veio depois foi apenas uma pífia tentativa, já sem magia alguma. Naufrágio. Na véspera do Réveillon. Puta mancada, uns disseram. Ainda bem que a moça tem amigos queridos.

O mês seguinte foi um verdadeiro inferno. Chora, chora de dia, chora de noite, drogas, mais bebida, muito mais bebida ainda. Quero morrer, ela disse. Volta a se sentir um lixo, não sai da cama por uns dias. Foda-se tudo.

Dor, fracasso, rejeição, decepção, tudo misturado. Você é melhor que isso, disseram. Não importa agora. Terapia, sessões duplas, remédios. O corpo do falecido no IML, apodrecendo.

Vive um dia de cada vez, tenta não pensar. E chora no banheiro da firma, evita certos lugares, cansaço, e taquicardia quando passa um carro igual ao dele.

Um bom tempo depois, parece que dói menos. E o morto já foi enterrado.

Pronta pra outro?
Nah, melhor não. A queda é inevitável e destruidora.

*Licença poética: título de uma das obras de um dos meus escritores e roteiristas favoritos, Nick Hornby. Gosto do livro e do filme tb.

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Imogen Poots, em cena do filme A Long Way Down.

 

Do amor (ou: tudo pode ser melhor)

Era uma vez uma moça que achou que nunca mais se apaixonaria. E que nunca mais alguém se apaixonaria por ela. Mentiras e patifarias detonaram seu lado romântico e poliana. Rejeição, mais rejeição, cansaço. Desejo não é amor, não supre, deixa vazio. Pegação de buat é bom, mas sem significado, e figurinhas repetidas – bem, já sabemos. Evitava filmes de amor, “ridículos e impossíveis” e, assistindo às decepções em série dela e das amigas, criou convicções um tanto extremistas: “homem quando não caga na entrada, caga na saída”, “mais fácil achar petróleo em casa do que arrumar namorado”, “amor só de mãe, amigo e bicho”, entre outras maravilhas revolts.

Então, o destino e o universo colocaram uma pessoa incrível no caminho dela. (Ok que as redes sociais ajudaram um pouco, afinal estamos em 2015.) Ele é um boy divertido, gostoso, carinhoso, educado, inteligente e muito legal. E tem um beijo ótimo.

Tudo ficou mais leve, divertido, mágico e colorido.

❤ ❤ ❤

A cada dia, a moça se encanta mais. E agradece. Porque hoje sabe o que é ser bem tratada. Os conceitos idiotas e as ideias de derrota não existem mais. No lugar, existe admiração, amor e felicidade.

A vida é muito melhor com você, amô.

 

Love revolution, baby.